Um Oscar marcado por lutas pelos direitos civis

Ontem aconteceu a entrega do Oscar, maior e mais conhecida premiação da indústria cinematográfica entregue desde 1929 pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A cerimônia em Los Angeles laureou “Birdman”, de Alejandro González Iñarritu, como melhor filme de 2014; e foi marcada pelo tom político dos discursos em defesa das liberdades civis e dos direitos humanos. [1]

oscarE podemos começar pelo próprio Iñarritu, que abordou o tema dos imigrantes latinos nos EUA. Ele é o segundo mexicano a receber o prêmio de Melhor Direção. Antes dele, Alfonso Cuarón foi premiado no ano passado por seu filme “Gravidade”, sendo o primeiro latino a receber a honraria [2]. E ele foi ainda o primeiro mexicano a receber o Oscar de Melhor Filme. Em seu discurso, o diretor mostrou sua preocupação com a situação dos inúmeros imigrantes no país:

“Eu rezo para que tenhamos o governo que merecemos. Que a geração atual de imigrantes seja tratada com a mesma dignidade e respeito que os imigrantes que ajudaram a construir este grande país”.

E, e em se tratando de México, não posso deixar de fazer uma ressalva da falta que fez o saudoso Roberto Gómez Bolaños, criador dos seriados “Chaves” e “Chapolin” da tradicional homenagem aos artistas falecidos no ano anterior. [3]

E seguem abaixo os pontos altos da cerimônia.

“O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS. É O SILÊNCIO DOS BONS”

O Oscar de Melhor Canção Original foi dividido por John Legend e o rapper Common por “Glory”, [4] parte da trilha sonora do filme “Selma – Uma luta por igualdade”, de Ava DuVernay, que contou a história da luta do movimento negro liderado por Martin Luther King nos Estados Unidos.

Legend lembra que “é dever de um artista refletir sobre o tempo em que vive”, e a canção, mesmo baseada em eventos ocorridos há 50 anos atrás permanece extremamente atual.

martinA canção faz uma ligação entre a luta por direitos civis naquela época evocando o ocorrido em 1955 quando a costureira negra Rosa Parks se recusou a levantar de um banco de ônibus “exclusivo para brancos” [5], até o recente levante em Ferguson e outras cidades em resposta ao assassinato de Mike Brown, um jovem negro assassinado pela polícia. [6] “Nós afirmamos que Selma ainda existe porque a luta por justiça existe agora mesmo”.

Os dois usaram o tempo do discurso para falar em defesa dos direitos civis, arrancando aplausos e lágrimas da plateia. [7]

O rapper Common conta sobre quando interpretaram a canção premiada sobre a mesma ponte na qual Dr. King e as pessoas do movimento pelos direitos civis marcharam há 50 anos.

“Essa ponte foi um marco de uma nação dividida, mas hoje é um símbolo de mudança […] o espírito desta ponte transcende raça, gênero, religião, orientação sexual e status social. O espírito desta ponte conecta o garoto do sul de Chicago, sonhando com uma vida melhor, com o povo na França defendendo sua liberdade de expressão, com as pessoas em Hong Kong protestando por democracia. Essa ponte foi construída em cima da esperança, moldada com compaixão, e elevada pelo amor por todos os seres humanos”

Já Legend, ganhador de 9 prêmios Grammy, lembra que os Estados Unidos é o país com mais aprisionamentos do mundo. “Há mais homens negros sob o controle corretivo hoje do que sob a escravatura em 1850”, afirma . Finalizou o discurso conclamando a todos que permaneçam na luta e “continuem marchando”.

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A luta dos negros e negras permanece atual em todo o mundo, e a ativista Angela Davis, antiga militante dos Panteras Negras, escreve em artigo recente para o The Guardian que a violência racista do estado é um tema consistente na história dos negros nos EUA.

Desde os anos 60 ativistas negros que resistem são tratados como terroristas, e ela ressalta ainda a hipocrisia do advento de uma suposta nova era “pós-racial” com a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente afro-americano.

“A absoluta insistência dos assassinatos da juventude negra por parte da polícia contradiz a suposição de que esses casos são aberrações isoladas. Travyon Martin na Flórida e Michael Brown em Ferguson, Missouri, são apenas os mais conhecidos dos incontáveis números de pessoas negras mortas pela polícia ou justiceiros durante a administração Obama. E eles, por sua vez, representam uma sequência ininterrupta de violência racista, oficial e extraoficialmente, de patrulhas escravistas e da Ku Klux Klan, até práticas de estereotipação contemporânea ou de justiceiros dos tempos modernos” [8]

Confira abaixo o clipe da canção premiada:

“POR UM MUNDO ONDE SEJAMOS SOCIALMENTE IGUAIS…”

A luta pela equidade de gênero também esteve presente, embora este ano seja, desde 2006, a primeira vez que a Academia não indica nenhuma mulher aos principais prêmios para além da categoria de melhor atriz [9]. Mas o tapete vermelho antes da cerimônia já serviu como um termômetro para a noite

O grupo “The Representation Project” [10] tem como objetivo questionar a representação das mulheres na mídia e usar os filmes como catalisadores para transformações culturais na sociedade. Suas pesquisas mostram que menos de ¼ dos filmes apresenta uma mulher como protagonista, número ainda menor se considerarmos mulheres negras. Além disso, na maioria dos filmes as mulheres tem menos falas, além de serem frequentemente hipersexualizadas.

O grupo lançou este ano a campanha #AskHerMore (“pergunte mais a ela”) para ajudar na superação dos estereótipos de gênero. Enquanto a maioria dos atores respondem perguntas sobre seus trabalhos e carreiras, as atrizes acabam sendo perguntadas no tapete vermelho sobre seus vestidos, penteados e dietas.

Atrizes famosas como Cate Blanchett, Julianne Moore e Emma Stone levantaram suas vozes contra o machismo na mídia e na indústria do entretenimento se recusando a meramente exibirem seu “visual” nos tapetes vermelhos [11]. A atriz Reese Witherspoon reclama que “atrizes são mais do que vestidos”, e que é difícil “ser uma mulher em Hollywood ou em qualquer outra indústria”.

do you do that to guysEsses questionamentos não são novidade! Cate Blanchett já perguntar ao vivo a um cinegrafista que filmava seu corpo durante o SAG Awards no ano passado se ele “faz a mesma coisa com homens”. [12] Já Jennifer Garner se queixou em uma entrevista em outrubro passado da costumeira pegunta que lhe fazem sobre como ela consegue “conciliar trabalho e família”. A mesma pergunta nunca é feita ao seu marido Ben Affleck, apesar dos dois compartilharem a mesma família e a mesma profissão. “Será que não é hora de mudar essa conversa?”, questiona. [13]

E a diferença entre homens e mulheres no cinema não é exclusivo em Hollywood. Estudo divulgado pela ONU e realizado pelo Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia aponta que as mulheres são pouco representadas no cinema, tanto à frente quanto atrás das câmeras. No Brasil as mulheres diretoras são 9% do total, um pouco acima da média mundial de 7%. [14]

Além disso, é conhecida a diferença salarial entre homens e mulheres na indústria. A lista divulgada pela Forbes em 2014 revela que o top 10 dos atores mais bem pagos excedem em US$ 193 Milhões a soma do top 10 das atrizes mais bem pagas nos Estados Unidos. [15] Não podemos negar o recorte claro de gênero, embora também não possamos esquecer que, ainda assim, ganham absurdamente mais do que qualquer trabalhador médio da indústria cinematográfica, que têm que batalhar por seus direitos como na greve dos roteiristas em 2007-08, maior conflito trabalhista em Hollywood nas últimas décadas. [16]

arquetteE para fechar a noite com chave de ouro, a atriz Patricia Arquette arrancou aplausos efusivos da plateia (com destaque para a veterana Meryl Streep [17]) em seu discurso após receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu papel de mãe solteira em “Boyhood” (de Richard Linklater). Além de dedicar o prêmio às mulheres da vida real, em especial as mães, defendeu a igualdade de oportunidades e salários entre homes e mulheres:

 “A todas as mulheres que deram à luz todo pagador de impostos e cidadão desta nação. Nós temos lutado pelos direitos igualitários de todos os outros. É nossa vez de ter salários iguais de uma vez por todas, e direitos iguais para mulheres nos Estados Unidos da América”. [18]

Enquanto isso, aqui no Brasil ainda temos políticos como Bolsonaro que acham que mulheres devem ganhar menos que homens “porque engravidam”. [19]

“…HUMANAMENTE DIFERENTES E TOTALMENTE LIVRES”

A luta pelos direitos da população LGBT também esteve presente, a começar pelo próprio apresentador do espetáculo, o ator de Hollywood e da Broadway, Neil Patrick Harris, abertamente gay formando uma feliz família com seu marido e dois filhos [20]. Mas foi o discurso de um dos vencedores da noite que foi dos momentos mais emocionantes da noite.

grahamO jovem Graham Moore, subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por seu trabalho em “O Jogo da Imitação”, e contou como tentou suicídio aos 16 anos por se sentir diferente dos demais. Hoje, superadas as adversidades, está lá de pé para compartilhar aquela mensagem.  Afirmou que não há problema em ser quem você é, e que devemos celebrar a diversidade. [21]

O filme dirigido por Morten Tyldum conta a heroica história do matemático Alan Turing que ajudou a salvar as vidas de milhares de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial decodificando códigos nazistas. Contudo,  alguns anos depois Turing foi condenado à cadeia por sua homossexualidade. E para se livrar do encarceramento, teve que passar por um processo de castração química e ao final acabou se matando.  [22]

O jovem roteirista não é homossexual. Era diferente na juventude por ser um “nerd”, mas sua mensagem foi simbólica, de apoio mútuo entre todas as lutas contra as opressões. Não é necessário ser homossexual para apoiar à causa LBGT, da mesma forma que não é necessário ser negro para se posicionar contra o racismo, mulher para lutar contra o machismo, ou imigrante para defender seus direitos. “Continue estranho, continue diferente. E quando chegar a sua vez, por favor passe a mensagem para a próxima pessoa”, concluiu em sua mensagem.

“HERÓI AMERICANO”?

Outra vitória dos direitos civis e dos direitos humanos foi a entrega de apenas um prêmio técnico (Melhor Edição de Som) para o polêmico “Sniper Americano”, de Clint Eastwood, ao contrário das expectativas daqueles que queriam ver o filme saindo vitorioso na noite de ontem.

AMERICAN SNIPERA película é baseada nas memórias do franco-atirador Chris Kyle que entre 1999 e 2009 matou pelo menos 150 insurgentes durante a Guerra do Iraque como integrante dos Seal, unidade de elite da Marinha americana. [23]

Apesar de polêmico, o filme quebrou recordes de bilheteria. Com um viés patriótico, o filme foi criticado por ser propaganda pró-guerra, além de tratar o conflito de maneira simplista e não examinar à fundo as raízes da guerra, sendo comparado inclusive com a propaganda nazista. [24]

“O verdadeiro Sniper americano era um assassino cheio de ódio. Por que há patriotas simplistas tratando-o como um herói?”, perguntou Lindy West em artigo publicado no The Guardian. [25] Um tipo de questionamento moral similar à indignação moral dos diversos brasileiros que se pronunciaram contra a vitória da Beija-Flor no Carnaval Carioca deste ano. [26]

Mas o ponto alto do Oscar 2015 foi, sem dúvidas, o escolhido como melhor documentário do ano de 2014, e que mostrou um modelo melhor de “herói” para os dias de hoje.

A CORAGEM É CONTAGIANTE, O VERDADEIRO “HERÓI AMERICANO”

Os prêmios para Melhor Documentário sempre funcionam como chamariz para uma causa importante. Um bom exemplo nos últimos anos foi o “Tiros em Columbine”, que rendeu o Oscar de 2002 à Michael Moore. No filme, o documentarista discute a violência nos Estados Unidos usando como ponto de partida para sua análise o massacre perpetrado por dois jovens armados em uma escola de Columbine, poucos anos atrás. [27]

Outros exemplos foram os documentários ambientalistas como “Uma Verdade Incoveniente” [28] de 2006 que discutiu o aquecimento global enfatizando o papel das ações humanas nas mudanças climáticas; e “The Cove” [29], que analisa a indústria de caça a golfinhos no Japão, e que recebeu o prêmio em 2009.

Um mais recente foi o ótimo “Trabalho Interno” [30] de 2010, dirigido por Charles H. Ferguson. O documentário dividido em cinco partes explora como as mudanças políticas e as práticas irresponsável dos grandes bancos foram responsáveis diretos pela crise econômica mundial. Nas palavras do diretor, o filme é sobre “a corrupção sistêmica dos Estados Unidos pelo mercado financeiro e suas consequências”. [31]

Na noite de ontem o prêmio de Melhor Documentário foi para “Citizenfour”, de Laura Poitras, que conta as desventuras de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana, que revelou através do jornalista Glenn Greenwald, do The Guardian, a vigilância global a qual todos são submetidos pelas agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido. [32]

Former U.S. spy agency contractor Edward Snowden is interviewedFazer uma crítica contundente à essa política não tem sido nada fácil. Snowden encontra-se até hoje em asilo temporário na Rússia sem poder retornar para seu lar, nos EUA; Laura teve que se exilar em Berlim para fugir da censura ao seu trabalho; e David Miranda, brasileiro marido de Glenn, foi detido e interrogado por 9 horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, mostrando que as revelações de Snowden atingiram em cheio interesses poderosos. [33] E a luta de Snowden tem sido uma verdadeira luta de um “Davi” contra o imenso “Golias” que é o império estadunidense.

Nas palavras de Tiago Madeira, cyber-ativista e militante do Juntos!, que fez parte dessa história pela defesa da liberdade de Snowden e pelo direito à privacidade na internet:

“O rechaço à vigilância e ao controle digital tem caráter anti-imperialista e democrático em defesa das nossas organizações. A internet, com seu poder de conexão e distribuição de informação, foi fundamental para a revolução árabe, para o movimento dos indignados espanhóis e para os protestos de junho de 2013 no Brasil. Junho, aliás, que foi o mês no qual Snowden, Gleen e Laura se encontraram pela primeira vez.” [34]

Em nota divulgada pela ACLU (American Civil Liberties Union), Snowden menciona o quão bravo e brilhante é o filme, e afirma que sua esperança é que o prêmio recebido encoraje mais pessoas a verem o filme e sejam inspiradas pela importante mensagem de que “cidadãos comuns, trabalhando juntos, podem mudar o mundo”. [35]

Fontes:

[1] G1 | Em Oscar repleto de discursos políticos, “Birdman” conquista prêmio de melhor filme

[2] Zero Hora | Alfonso Cuarón é o primeiro latino a conquistar Oscar de melhor diretor

[3] G1 | Morre Roberto Gómez Bolaños, criador de Chaves e Chapolim

[4] Vagalume | “Glory” de John Legend e Common ganha Oscar de melhor canção original

[5] Brasil Escola | Rosa Parks

[6] Juntos! | #DontShoot #NãoAtire – O Amarildo dos Estados Unidos

[7] The Washington Post | John Legend’s very political Oscar acceptance speech

[8] The Guardian | Angela Davis – From Michael Brown to Assata Shakur, the racist state of America persists

[9] Diário Catarinense | Pouca representação de negros e mulheres em filmes gera polêmica ao Oscar

[10] The Representation Project

[11] BBC Brasil | Oscar 2015: atrizes se rebelam contra machismo no tapete vermelho

[12] Época | Cate Blanchett contra o sexismo no tapete vermelho

[13] ABC News | Jennifer Garner Talks Double Standard in Hollywood

[14] Folha de S. Paulo | Diretoras brasileiras discutem machismo e papel das mulheres atrás das câmeras

[15] Época Negócios | Em Hollywood, atores mais bem pagos ganham quase o dobro das atrizes melhor remuneradas

[16] Estadão | Após 14 semanas, termina greve dos roteiristas de Hollywood

[17] Estadão – Radar Cultural | Meryl Streep vibra com o discurso feminista de Patricia Arquette no Oscar e vira meme

[18] Brasil Post | Patricia Arquette vence o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e pede igualdade salarial em Hollywood

[19] Papo de Primata | Bolsonaro: patrões podem pagar menos às mulheres porque elas engravidam!

[20] BuzzFeed | 27 times in 2013 Neil Patrick Harris’ Family was cuter than yours

[21] Huffington Post | Graham Moore fives the Oscar’s most moving acceptance speech

[22] Wikipedia | Alan Turing

[23] Rolling Stone | Polêmico, Sniper Americano é mais uma história sobre os guerreiros calados e solitários da filmografia de Clint Eastwood

[24] G1 | “Sniper Americano” quebra recorde na estreia e cria polêmica nos EUA

[25] The Guardian | Lindy West – The real American Sniper was a hate-filled killer. Why are simplistic patriots treating him as a hero?

[26] Catatonia Integral | Felipe Aveiro – Por que devemos ser contra o patrocínio de sambas-enredos?

[27] YouTube | Bowling For Columbine – Tiros em Columbine

[28] Vimeo | Uma Verdade Inconveniente

[29] The Cove

[30] Vimeo | Inside Job

[31] YouTube | Charlie Rose interviews Charles Ferguson on his documentary “Inside Job”

[32] Juntos! | Tiago Madeira – O governo dos EUA espiona as nossas comunicações

[33] Juntos! | Tiago Madeira – O caso Edward Snowden

[34] Juntos! | Tiago Madeira – E o Oscar vai para… Edward Snowden

[35] ACLU | Edward Snowden congratulates Laura Poitras for winning Best Documentary Oscar dor Citizenfour

[36] Huffington Post | Lady Gaga performs “Sound of Music” tribute at the Oscars

[37] Fernanda Montenegro disputou o Oscar, em 1999, por atuação em “Central do Brasil”

[38] G1 | Em concurso, vice não aceita derrota e arranca coroa de Miss Amazonas

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